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Jogo desenvolvido na Game Jam foi premiado no Gamepólitan

Por Glenda Dantas.

O  Timers foi criado na edição da Game Jam de  2017 e premiado nas categorias Melhor Game Infantil e Melhor Game Design da Gamepólitan do mesmo ano                                                

Foi através do Game Jam 2017, evento de desenvolvimento de jogos em curtos períodos, que Felipe Nunes, Igor Ferreira e João Freitas desenvolveram o “Timers”. Naquela edição, o tema proposto para os participantes foi ”tempo”. A partir de discussões e trocas de ideias, os estudantes criaram  o conceito base: utilizar números como plataformas. O jogo desenvolvido foi premiado no Gamepólitan, como Melhor Game Infantil e Melhor Game Design.

Apesar de não ter sido pensado para um público alvo específico, o jogo atraiu, principalmente,  jovens entre 10 e 15 anos. A história do game é contada a partir de um personagem da mitologia grega, um dos filhos de Cronos, que é presenteado por seu pai com parte da areia do tempo, responsável por preencher 12 ampulhetas. Num dado momento, o relógio que contém as 12 ampulhetas do tempo para e a missão do jogador é recuperá-las, passando pelos níveis e consertando o tempo que está quebrado. A jogabilidade consiste em controlar os números próximos, formando o caminho mais acessível e possível para resgatar as ampulhetas.

O Timers foi um jogo criado buscando unicamente a diversão e o trabalho psicológico -reflexo, lógica e planejamento- de quem joga”, explica Felipe Nunes, estudante de Sistemas de Informação. Após a Game Jam, mesmo com o aumento da equipe, que passou a contar com os estudantes Rafael Pondé e Romualdo Santos, eles tiveram dificuldade em dar continuidade ao projeto. Os estudantes tiveram dificuldades em conciliar os horários para fazer reuniões de equipe e também não contaram com o apoio de qualquer instituição. O jogo é completamente independente”, afirma Igor Ferreira, estudante de Ciência da Computação.

Contudo, depois de seis meses de  pesquisas e diálogos, os jovens conseguiram construir um jogo consistente o suficiente para receber os prêmios de melhor Game Design e melhor Projeto Estudantil na Gamepólitan 2017. “Nosso objetivo era tornar nossa paixão por desenvolvimento de jogos real. Quando recebemos esses prêmios, caiu a ficha de que aquilo já era real”, conta Nunes. Para Ferreira, os semblantes curiosos dos jogadores chegou a ser mais importante que os prêmios em si. “Estar com o público foi indescritível”, complementa. Timers está disponível para download neste site, porém é compatível apenas para computadores com sistema operacional windows.

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Produção de jogos na Bahia

A produção de games na Bahia começou a ser explorados, na UFBA, por volta de 2005, através do grupo de pesquisa Indigente. O coletivo já desenvolveu jogos como Kirimurê e possui artigos e produtos premiados no SBGames. O estado conta ainda com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Comunidades Virtuais. O grupo ligado à UNEB desenvolve jogos com cenários de aprendizagem escolar e também com cenário  de aprendizagem para a indústria, como Tríade, Braskem Game Quiz e Salvador Sim.

Entre 2005 e 2010, aconteceu um boom das ações governamentais para as produções de games. Na Bahia, o destaque ficou por conta da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) que chegou a ser considerada o maior agente de fomento do país. Entre 2008 e 2010, a instituição implantou um game cluster, onde academia e indústria se juntavam a fim de garantir o fortalecimento do segmento. Grupos e instituições como RedRabbit Interactive, MDS Tecnologia, Comunidades Virtuais, Gamenyx, Indigente, IFBA, Virtualize Games, UNEB e UFBA participaram da iniciativa.

A UFBA, além de promover debates, cursos intensivos e eventos com a temática jogos digitais, possui, vinculada ao Bacharelado de Ciência e Tecnologia, a área de concentração em Jogos Digitais e Educação e a de Tecnologias Digitais para Educação. Há 5 anos, a universidade sedia também o Global Game Jam. O evento reúne pessoas interessadas no desenvolvimento de games, programadores, designers, músicos e roteiristas, com o objetivo de desenvolver distintas habilidades, bem como promover práticas colaborativas, cooperativas e inventivas, motivando os participantes a experimentar novas técnicas e práticas, fortalecendo a indústria de games nos seus territórios.

Para Felipe, os principais entraves para o desenvolvimentos de jogos no estado são a falta de visibilidade e reconhecimento. “Somos atualmente um dos maiores consumidores de jogos do mundo, porém no quesito produção não tem o menor destaque”, critica. Atualmente, o estado é representado no setor por grupos como Sinergia Games, Moovi Game Studio, Unique Entretenimento Digital, Victor Cayres, Era Game Studio.

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