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Primeira ação do projeto Música Transversal acontece na EMUS

Por Greice Mara.

O debate contou com atuantes na área de marketing, música e produção cultural

 

Empreendedorismo em música, mídias sociais e elaboração e gestão de projetos culturais foram temas de uma mesa de debate  realizada na última sexta-feira (21) na Escola de Música da UFBA. O evento contou com a presença de Marcelo Dantas (ADM-UFBA), Alexandre Ávila (EMUS-UFBA), Adriano Sampaio (FACOM-UFBA), João Marcelo (Share Social Media) e teve Lucas Robatto (EMUS-UFBA) como mediador.

Marcelo Moraes iniciou o debate fazendo um apanhado histórico do empreendedorismo musical na Bahia. Citou o Axé Music como um dos precursores do empreendedorismo musical no mercado brasileiro. “Antes do Axé Music não havia essa estruturação empresarial dos artistas. O movimento cria a partir do empreendedorismo desses artistas e desses empresários modelos de negócio na música que não existiam a exemplo das festas com abadás e festivais musicais”, afirmou.

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Foto: Greice Mara

Para ilustrar o papel da música baiana, Marcelo apontou o Olodum e o Ilê Aiyê como fundamentais para este processo ao influenciar o surgimento de outros grupos musicais. “Quando o Olodum consegue fazer o samba reggae, aquilo vira uma base para dezenas de músicas, depois a prioridade dessas organizações – Olodum e Ilê Aiyê – era a luta contra o racismo”, concluiu.

Para ele,  ser empreendedor cultural “significa a combinação do recurso criativo, ou seja, geração de obras, bens ou serviços com valores estéticos, e do recurso econômico”. O professor defende a existência de três tipos de empreendedorismo cultural: o individual, que contempla os artistas, sua produção e a gestão da sua carreira; o coletivo/comunitário, que diz respeito aos blocos afro; e o empreendedorismo organizacional, que abrange as empresas e as ONGs que se tornam produtoras e se colocam economicamente no mercado musical.

Por sua vez, João Marcelo, que faz parte da equipe de marketing da Share Social Media, destacou as mudanças pelas quais o marketing passou graças ao boom das redes sociais. “O mundo ia mudando e acho que o marketing foi uma das primeiras ferramentas a provar isso”. Segundo o social media, a questão do marketing na internet gerou uma mudança considerável na relação marcas-público alvo, já que é possível que o usuário escolha o conteúdo  que pretende ter acesso. Nesse sentido, o papel do social media é manter contato com essas pessoas fazendo com que haja uma certa reciprocidade.

A mudança na relação marcas-público possibilitou que as empresas de marketing passassem a  olhar o usuário de uma forma mais “humana”. “Mídia social é gente interagindo com gente, se comportando como gente e você não pode analisar gente como se fossem só dados, mas também não pode fazer uma análise sem os dados”, ressaltou. Como exemplo disso, João Marcelo falou sobre a atuação da Share Social Media na gestão das mídias sociais do músico Carlinhos Brown.

O professor da Faculdade de Comunicação, Adriano Sampaio, falou sobre os processos que envolvem a de elaboração de projetos culturais. Citou os mecanismos de incentivos – públicos e privados – à cultura, como Fundo Nacional de Cultura (FNC), Fundo de Investimento Cultural e Artístico (Ficart) e o Vale-Cultura. Além disso, Adriano citou a importância de se conhecer a maior variedade possível de editais. “A gente não pode fazer com que o caminho para a construção dos projetos culturais seja basicamente um preenchimento de formulários. Então, é preciso conhecer os mecanismos de incentivo à cultura e como eles funcionam”, ponderou.

O professor citou as plataformas de financiamento coletivo – crowdfunding – como importantes no processo de captação de recursos para os projetos culturais. Plataformas como Catarse, Começaki, Benfeitoria, Vakinha Online. Adriano falou também sobre  o projeto Rede Logos,  uma plataforma colaborativa – crowdsourcing – voltada para a produção artística e cultural das universidades. Além disso, ressaltou a importância das redes sociais no processo de divulgação das produções culturais.

Alexandre Ávila, professor da Escola de Música da UFBA, ressaltou a importância do empreendedorismo musical, questões relacionadas a logística no gerenciamento das carreiras – que envolvem marca, design e produção, sobretudo para os artistas novatos. Entretanto, reconheceu que ainda hoje, existe uma resistência, principalmente dentro da Universidade, à lógica de mercado da música.

O professor falou também sobre a influência dos 4Ps do marketing (Produto, Preço, Praça e Promoção) para a gerência de carreiras artísticas e de como é importante zelar pela qualidade daquilo que se produz, já que para Alexandre, o público sabe ouvir música. “Ao contrário do que muita gente pensa, acredito que o público entenda sobre música. Pessoas sabem a diferença entre uma coisa bem executada e uma não tão bem executada”, afirmou..

A produtora cultural Gabriele Jessi considerou a realização da mesa bastante importante, já que tem um trabalho de pesquisa e análise em produção cultural com foco na gestão interna de bandas e grupos musicais de Salvador. “Para mim é muito importante que haja esses encontros em que os artistas possam estar aprendendo e é importante para mim também ver quem está se importando, assim como eu, com a questão de um músico ganhar saberes e terem noção de como gerenciar sua própria carreira”.

A realização da mesa faz parte do projeto Música Transversal que tem como objetivo promover um intercâmbio entre os estudantes. O projeto da estudante de Produção Cultural, Mariane do Carmo, foi elaborado na disciplina Oficina de Planejamento e Elaboração de Projetos Culturais e é um dos primeiros projetos cadastrados na plataforma colaborativa Logos – Cultura Universitária.

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